What Can You Do With a Humanities Ph.D., Anyway?

There is a widespread belief that humanities Ph.D.s have limited job prospects. The story goes that since tenure-track professorships are increasingly being replaced by contingent faculty, the vast majority of English and history Ph.D.s now roam the earth as poorly-paid adjuncts or, if they leave academia, as baristas and bookstore cashiers. As English professor William Pannapacker put it in Slate a few years back, “a humanities Ph.D. will place you at a disadvantage competing against 22-year-olds for entry-level jobs that barely require a high-school diploma.” His advice to would-be graduate students was simple: Recognize that a humanities Ph.D is now a worthless degree and avoid getting one at all cost.

Since most doctoral programs have never systematically tracked the employment outcomes of their Ph.D.s, it was hard to argue with Pannapacker when his article came out. Indeed, all anecdotal evidence bade ill for humanities doctorates. In 2012, the Chronicle of Higher Education profiled several humanities Ph.D.s who were subsisting on food stamps. Last year, the Pittsburgh Post-Gazette eulogized Margaret Mary Vojtko, an 83-year-old French adjunct who died in abject poverty after teaching for more than two decades at Dusquesne University, scraping by on $25,000 a year before being unceremoniously fired without severance or retirement pay.

Recent studies suggest that these tragedies do not tell the whole story about humanities Ph.D.s. It is true that the plate tectonics of academia have been shifting since the 1970s, reducing the number of good jobs available in the field: “The profession has been significantly hollowed out by the twin phenomena of delayed retirements of tenure-track faculty and the continued ‘adjunctification’ of the academy,” Andrew Green, associate director at the Career Center at the University of California, Berkeley, told me. In the wake of these changes, there is no question that humanities doctorates have struggled with their employment prospects, but what is less widely known is between a fifth and a quarter of them go on to work in well-paying jobs in media, corporate America, non-profits, and government. Humanities Ph.D.s are all around us— and they are not serving coffee.

The American Historical Association (AHA) and the Modern Language Association (MLA) have staked out the position that the lack of reliable data about employment outcomes is hindering any productive discussion about the future of academia. Both organizations are currently undertaking major studies that will comprehensively document the career trajectories of generations of humanities Ph.D.s. Preliminary reports released in the past few months show that 24.1 percent of history Ph.D.s and 21 percent of English and foreign language Ph.D.s over the last decade took jobs in business, museums, and publishing houses, among other industries.        


ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA RETOMA SUAS ATIVIDADES

Após seu fechamento no dia 19/02, foram retomadas as atividades no Arquivo Público do Estado da Bahia. Como já é do conhecimento de todos; o APEBA vem passando por um longo processo de degradação. Instalado em um belo prédio, mas que em nada contribui para a preservação da documentação ali custodiada, desde 2011, que vem sendo vinculado na mídia os estado precário de suas instalações. Recentemente foram feitos reparos na instalação elétrica, mas ainda existe o problema do forro e telhado que precisa ser sanado. Enquanto isso não é feito, pesquisadores e o público em geral precisam disputar as poucas mesas e cadeiras da atual sala de pesquisa, e quando isso não é possível, o público excedente é direcionado a biblioteca, onde não há iluminação.
Essas e outras histórias de descaso para com esse patrimônio histórico não é exclusividade desse Governo, notícias de décadas passadas relatam como o Arquivo Público vem sendo tratado ao longo dos seus 124 anos de história! Acompanhe esses relatos:

Parafraseando Sigmund Freud, quanto menos alguém sabe sobre o passado e o presente, mais inseguro será o seu juízo sobre o futuro. 

ACOMPANHEM ESSA LONGA HISTÓRIA: 

                     

O ARQUIVO PÚBLICO DA BAHIA

De passagem na capital da Bahia, tivemos ocasião de visitar este importante estabelecimento que, pela sua boa organização, asseio e ordem, faz honra ao Estado.
O Arquivo Público da Bahia foi fundado em 1890, pelo saudoso doutor Manoel Victorino Pereira, então governador do Estado.
Seu primeiro diretor, o doutor Francisco Vicente Vianna, confeccionou durante a respectiva administração a Memória histórica sobre o Estado da Bahia, trabalho de grande valor, que teve a honra de figurar na exposição Chicago.
Exerce atualmente o cargo de diretor o doutor Virgílio de Araújo Cunha, nome vantajosamente conhecido, que empresta ao importante estabelecimento todo brilho da sua melhor atividade.
Graças aos esforços do doutor Pedro Vicente Vianna, secretário do governo, passou o Arquivo Público por grandes reformas e acha-se hoje perfeitamente instalado, possuindo diversos e preciosos documentos da nossa história política desde 1670 até aos nossos dias.
O governador do Estado, doutor José Marcelino, pensa atualmente em ampliá-lo, o que vem de alguma forma adiantar o processo cada dia mais crescente do Arquivo Público.
O retrato do doutor Manoel Victorino, que todos têm como um benemérito na fundação de tão útil estabelecimento, foi colocado envolto em crepe, ricamente emoldurado, no salão do nobre edifício.     
Disponível em:

INSURREIÇÕES NEGRAS NA BAHIA


Fonte: Revista da Semana – Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1956. Ano: 57, Nº 38
Disponível em: 

HISTÓRIAS DO ARQUIVO PÚBLICO DA BAHIA

Por maiores os títulos do Arquivo Nacional, na capital do país, para deter, guardar e conservar consigo tudo quanto interesse as tradições escritas da nacionalidade, lícito não lhe não será, entretanto, despojar o Arquivo Público da Bahia de documentos que lhe pertencem, por ligados a fato que, embora de História Nacional, aqui ocorreram, sendo, portanto, sobretudo, acontecimentos tradicionais da História Baiana.
Sobre o assunto, o governo do Estado dirigiu o seguinte ofício ao Excelentíssimo Senhor presidente da República: Em 30 de novembro de 1936.
3.934 – Senhor presidente. – A 16 de setembro de 1887, o ministro do Império, Francisco Belisario Soares de Souza, dirigiu ao presidente da província da Bahia o ofício do teor seguinte, do qual junto a este uma cópia autêntica, e cujo original se conserva no arquivo público deste Estado: “Sirva-se Vossa Excelência, dar as necessárias ordens para que sejam entregues, mediante recibo, ao chefe da Seção da Biblioteca Nacional, Alfredo do Valle Cabral, que se acha com licença nessa província, afim de serem catalogados, extratados ou impressos, não só os volumes de registros mandados fazer pelo governador Dom Fernando José de Portugal, os quais compreendem o período da fundação da cidade da Bahia, até a expulsão dos holandeses do Brasil – (1549-1654); como também outros documentos relativos ao mesmo período, que não estejam incluídos no coleção mandada fazer pelo mesmo governador: devendo ser-lhe entregue cada volume de sua vez e depois de restituído o que tiver recebido anteriormente, de modo que toda a coleção possa ser estudada”.
Trata-se, como se vê, e nem podia ser de outra forma, de um empréstimo de documentos, os quais, todos, sob essa condição foram remetidos a Biblioteca Nacional, que devia receber casa volume de sua vez, e somente depois de restituído o volume anterior, poderia receber outro. Houve, pois, cuidado de se evitar que a Bahia fosse, de qualquer modo, desapossada de uma grande parte do seu patrimônio histórico. Era um empréstimo caracterizado, e sob condição previdente, que assegurava a devolução dos volumes emprestados. Entretanto, a verdade é que a Biblioteca Nacional, contra compromisso solenemente assumido pelo governo do Império, acumulou nas seções dos documentos que pertencem a Bahia, e há anos os retêm nas suas seções. Também não me consta que houvesse jamais governo que procurasse reaver o patrimônio do Estado.
A Bahia, porém, é que tem sofrido, e sofre, as consequências deste estado de coisas. Assim é que, por exemplo, entre documentos emprestados, está um e dos demais importantes a defesa do seu território, na questão de limites com Sergipe: o regimento, dado pelo governador da Bahia, para fundação da aldeia de Curaça, que Sergipe diz lhe pertencer. No rol dos mesmos documentos se encontra o tombamento ou auto da demarcação e confrontação das terras que pertenciam ao Rei em Ilhéus, e Belmonte, a mais rica zona cacaueira do Estado de onde a disputa da posse da terra tem dado lugar a toda a sorte de abusos, a falta da preciosa documentação, retida na Biblioteca Nacional.
A máxima parte da vida histórica e administrativa da Bahia se acha fora dos seus arquivos: tudo o que diz respeito a fundação da cidade, numa vasta coleção de provisões reais; grande parte da correspondência, das ordens, das portarias da administração baiana; todos os registros da secretaria do governo da Bahia, compreendendo não só toda administração colonial, como também notável porção, correspondente ao período da independência.
Se caso o governo da Bahia carece consultar qualquer documento da sua mesma propriedade, é preciso que peça autorização para esse fim, coo agora mesmo está ocorrendo no que concerne a demarcação das terras do sul do Estado. Se resolve comemorar o seu passado histórico, tem de mandar copiar documentos respectivos, dispensando com isso, como tem feito, contos de réis.
“Nem foi só em 1887 que a Bahia emprestou ao governo do Império e até ao da República, peças notáveis do seu arquivo. A exposição realizada no Rio de Janeiro no ano de 1881, a Bahia se fez representar por uma copiosa remessa de manuscritos, livros, retratos, etc., o que tudo consta de um catálogo impresso, e do qual uma cópia da relação respectiva acompanha este ofício. Ainda em 1908, o governo da União, para que figurasse na exposição daquele ano, a carta régia da abertura dos portos, ato firmado em 1808, na Bahia, dirigido ao senhor governador e cujo documento pertence a Bahia.
Todos esses sucessivos empréstimos, ou todas essas remessas para simples exposição, e que, portanto, nem chegaram a ser empréstimos, foram ficando retidas na Biblioteca Nacional e, em outras repartições públicas do Rio de Janeiro.
Tenho a consciência, excelentíssimo senhor presidente, de que, neste momento, cumpro um os mais elementares deveres do governo baiano, solicitando de vossa excelência, com o maior calor e empenho, como de fato aqui solicito, o obséquio da devolução de todos os volumes, documentos, papéis, livros manuscritos avulsos ou não, retratos, etc., que pertençam a Bahia, e que no seu arquivo se devem guardar, porque sua propriedade, seu patrimônio histórico, instrumentos da defesa dos seus direitos e da sua mesma fortuna pública.
Para esse fim se apresentarão a vossa excelência, incumbidos de procederem a tudo quanto a esse propósito se faça mister, os senhores doutores Braz do Hermenegildo do Amaral e Homero Pires, para os quais pelo a vossa excelência toda a atenção do seu espirito de justiça, certo de que a fará inteira a Bahia, que ainda há pouco galharda e entusiasticamente recebeu a vossa excelência e a quem ela ficará assim a dever mais de um dos grandes e inestimáveis benefícios da benemérita administração de vossa excelência.

Valho-me da oportunidade para renovar a vossa excelência as homenagens do meu elevado apreço e distinta consideração. Assinado – Juracy M. Magalhães. Governador. Ao excelentíssimo senhor doutor Getúlio Vargas, DD. Presidente da República”.    
              

ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA: PRECIOSIDADES RARAS

Arquivo Público – Cuidados das Cortes Portuguesas com as terras e águas do patrimônio da cidade do Salvador – Árvore genealógica de Catharina Paraguassú.
Preciosidades raras

Chegando ao nosso conhecimento ter o diretor do Arquivo Público, doutor Francisco Borges de Barros, solicitando do doutor secretario do Estado a necessária autorização no sentido de lhe ser entregue o arquivo do Teatro São João, reputado de primeira ordem, procuramos o mesmo diretor em sua repartição, ontem às 2 horas da tarde. Apesar de fechadas as demais repartições ele trabalhava. Todos os funcionários, de bom grado o auxiliavam em arrumações, buscas e pesquisas. Já é outro, em poucos dias, o aspecto daquele departamento. As cartas régias uma das grandes riquezas do Arquivo, estão extremadas; iniciou-se a catalogação dos maços de papéis importantíssimos como sejam: os quintos e dízimos do ouro, a planta da Bahia em 1621; os fatos da Sabinada; o estudo e planta do Rio Paraguaçu em 1784; cartas régias de D. João III, D. João IV, D. João V e D. José I sobre as terras dadas como patrimônio à cidade da Bahia, as reclamações sobre ocupações indevidas nessas terras, alvarás ordenando as medições das mesmas e intimações dos réus, o cuidado daquelas cortes sobre os serviços das águas compreendidas nas terras do patrimônio da cidade do Salvador. Passamos a outra seção e lá encontramos vários montões de maços de papéis: eram as sesmarias, antigos documentos sobre navios negreiros e sinais de escravos, fórmulas de testamentos em 1580, proibição aos negros e mulatos de usarem sedas nos ominosos tempos de D. João III e ordens da corte portuguesa, vedando, no Brasil, a entrada de armas, que não fossem procedentes de Lisboa. Mais adiante deparamos, salvos do pó, os mapas da Bahia e do Rio Grande do Sul, feitos pelo Barão Homem de Mello, a planta levantada em 1875 para a construção de um dique para a Companhia Baiana e um belo quadro da árvore genealógica da família, de que foi tronco ancestral Catharina Paraguassú. A poeira nos asfixiava e o laborioso diretor, sorrindo, dizia: trabalhamos como mineiros, cada dia encontramos novo filão referto e riquíssimo em dados e informações para as coisas da Bahia. Vê aquilo que ali está? São as determinações do governo do 2º império ao modo pelo qual devíamos exercer nossa neutralidade, perante franceses e alemães, na guerra de 1870. Mais além divisavam-se manuscritos sobre nossas questões de limites, seguras informações sobre os “encapelados extintos e adjudicados à Fazenda Imperial”, plantas de aldeamentos de índios e assuntos outros que seria longo enumerar. E o novel Diretor nos manifestou o grande afã de sua excelência o doutor Governador e do doutor Secretario do Estado de elevar o Arquivo Público da Bahia ao mesmo nível dos de São Paulo e Minas Gerais, dando-lhe a organização consentânea com a sua alta importância. Em oito dias fez-se aquisição de material novo e adaptado aos fins de tão útil instituição. O governo do Estado ordenou que o Diário Oficial, faça a encadernação de todos os livros importantes e que se acham estragados, sobressaindo os de registro de terras, avisos e provisões, a cópia das cartas régias e de outros documentos do mais transcendente interesse, e o seu Diretor, a exemplo do Arquivo de Minas e São Paulo, vai pedir, segundo nos disse, autorização do Governo para elaborar, de ora avante, a estatística do Estado. O prédio em que está a repartição, passa por urgentes e radicais reformas.   

SANTA AFRO CATARINA


O programa Santa Afro Catarina visa promover a identificação, a valorização e a difusão do patrimônio cultural associado à presença dos africanos e afrodescendentes em Santa Catarina, com foco em Florianópolis num primeiro momento. O programa articula ações de educação patrimonial em dois níveis. Por um lado, prevê a elaboração de narrativas temáticas e de roteiros de visita sobre a história dos africanos e afrodescendentes em Santa Catarina baseados em pesquisa de arquivo sob a perspectiva da História Social e por outro lado, prevê o desenvolvimento de atividades de educação patrimonial associadas ao ensino de História, dando ênfase à articulação entre patrimônio e história local. Desde 2011, oferecemos visitas guiadas por roteiros históricos, em maio de 2013 lançamos o livro História Diversa: africanos e seus descendentes na Ilha de Santa Catarina, e ao longo de 2013 está previsto o lançamento de um website contendo as narrativas temáticas e a oferta de oficinas para professores e para guias de turismo.
A equipe do programa é formada por profissionais atuantes nas áreas de História da Diáspora Africana, Patrimônio e Ensino de História. 
A integração inovadora dos conteúdos de história da presença africana à discussão de patrimônio faz o diferencial do programa Santa Afro Catarina: ao agenciar uma nova gama de marcos urbanos como cenários de tramas históricas, ao atribuir novos significados a espaços já visitados, ou ainda ao enfatizar as ausências dos marcos materiais e o esquecimento da presença africana, as ações previstas proporcionam novos modos de percepção e de relacionamento com o passado configurado nos espaços urbano e rural.


CHAMADA PARA ARTIGOS: REVISTA TEMPORALIDADES

A Revista Temporalidades - 12ª edição - v.6, n.1, periódico discente da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) faz saber que abre chamada pública de artigos, resenhas e transcrições documentais comentadas para o próximo dossiê intitulado "Instituições, poderes e magistrados no mundo luso-brasileiro. Séculos XVIII e XIX."
A Revista também recebe contribuições em fluxo contínuo. O prazo para envio termina em 25 de março de 2014.
Lembrando que o próximo número, a edição 11, sai até a próxima sexta-feira. Aguardem.
ACESSSE: http://www.fafich.ufmg.br/temporalidades/revista/

ARQUIVO NACIONAL DE CABO VERDE

História da Escravidão: Arquivo Nacional de Cabo Verde disponibiliza lista de documentos sobre o tráfico de escravos no país. 

7 ANOS DE ESCRAVIDÃO NO BRASIL

A história do abolicionista, Luiz Gama, será contada em séries e filmes. Gama nasceu livre na Bahia, mas foi vendido como escravo pelo pai para pagar dívidas de jogo. Seu relato como escravo foi exposto em carta escrita ao amigo, Lúcio de Mendonça, em 1880. 
Para maiores informações, click na imagem. 

MATOU A DONA DE RAIVA!

Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor
Levo ao conhecimento de Vossa Excelência que o doutor Delegado do 1º distrito, comunicou-me em ofício de 30 do próximo passado, que no dia 28 daquele mês, tendo vindo a delegacia dona Anna Francisca da Rocha Martins, tratar de uma questão relativa a uma sua escrava de nome Carolina, que também se achava presente, e tendo esta lhe faltado ao respeito, teve a mesma senhora um ataque, falecendo poucos minutos depois, apesar dos esforços empregados para salva-la pelo doutor João Antônio de Castro Loureiro, que imediatamente compareceu. Feito o corpo de delito, reconheceu-se que a morte foi devida a uma lesão cardíaca. Deus guarde a Vossa Excelência. Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor Conselheiro Pedro Luiz Pereira de Souza, Presidente desta província. O chefe de polícia.
Fonte: Arquivo Público do Estado da Bahia / Seção colonial – maço: 3139-68 

UMA HISTÓRIA PARA O DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Em homenagem ao dia Internacional da Mulher, uma história de duas mulheres, que se não fosse à preservação deste documento, permaneceria no anonimato para sempre! 

Traficada como milhões de outros escravos para o Brasil, Anacleta Maria do Rosário, jamais imaginaria reencontrar sua filha na Bahia, porém, o destino havia de lhe pregar uma peça; ao encontrar em um lote “uma filha sua que havia ficado na dita Costa da Mina”. Logo a comprou e providenciou sua liberdade e batismo, e ao batizá-la o nome não poderia ser outro, Felicidade! Sim, feliz a Anacleta e sua filha, pois as amarguras do cativeiro só duraram o tempo da longa e dolorosa travessia atlântica. 
Muitas foram as Felicidades, que como a de Anacleta, viveram como cativas no Brasil, mas não tiveram a mesma sorte. Histórias como a de Felicidade e sua mãe, fazem parte de uma época em que, não só o estigma da escravidão se fazia presente em suas vidas, mas também, a submissão, humilhação dentre outras perseguições.         
     

Cópia da carta de liberdade da preta Felicidade conferida por Anacleta Maria do Rosário

Digo eu Anacleta Maria do Rosário, natural da Costa da Mina, que [me achando] já liberta nesta cidade, acontece aparecer cativa no lote e poder de José Antônio da Costa uma filha minha que havia ficado na dita Costa da Mina, a qual comprei pelo preço e quantia de cento e noventa mil réis, que logo os paguei em dinheiro corrente; e suposto a mandei a batizar forra pondo-lhe o nome de Felicidade, contudo para seu título por meu falecimento em qualquer parte onde ela possa ir de viagem ou habitar, faço a presente carta de liberdade, e rogo as Justiças de Sua Majestade de um e outro foro lhe deem todo o vigor e proteção que em direito for permitido por ser a presente liberdade, conferida como mais a mesma faça essa para sua inteira validade lhe faltar alguma cláusula ou cláusulas a hei por expressas e declaradas como se dela fizesse expressa menção; e por eu não saber ler nem escrever pedi a José Miguel Álvares esta por mim fizesse, e como testemunhas assinasse em presença das mais testemunhas também assinadas. Bahia, vinte seis de junho mil oitocentos dezoito. Como testemunha que esta fiz a rogo de Anacleta Maria do Rosário, José Miguel Álvares, como testemunha Caetano Álvares do Espírito Santo, Joaquim Maxado Pessanha, Luís Gonzaga de Santana. Distribuição: ao Tabelião Albergaria, Bahia, vinte seis de julho mil oitocentos e dezoito, Amado, Reconhecimento, Reconheço ser própria, Bahia, quatorze de julho mil oitocentos e dezoito. Em testemunho de verdade, estava o sinal público, Marcelino Epifânio Soares de Albergaria. E copiada a dita carta de liberdade a qual me reporto esta conferi, consertei, subscrevi e assinei, e a própria carta entreguei a quem abaixo assinou. Bahia, 17 de julho de 1818. Eu Marcelino Epifânio Soares de Albergaria, que o subscrevi.    
Fonte: Arquivo Público do Estado da Bahia

Seção Judiciária/Livro de Notas 196 – P. 43V.          

Travessia do equador, alimentação e condições de saúde nos relatos de viajantes (séculos XV-XX)

O repertório agora tornado público é parte do projeto Fragmentos da cultura marítima no Atlântico: autonomia escrava, ritos a bordo e vida material. Um dos objetivos do projeto é reunir e catalogar evidências que permitam analisar aspectos da cultura marítima atlântica entre os séculos XV e XX.
A reunião dos dados possibilita um estudo das transformações formais e de significado nos rituais de travessia da linha do equador, buscando descrições em relatos de naufrágios de embarcações portuguesas, na crônica colonial e em livros de viajantes de diferentes nacionalidades. 
O material reunido e catalogado viabiliza também o estudo da vida material no mar, centrado nas questões de alimentação e condições de saúde a bordo.
ACESSE: 

SEMINÁRIOS HISTÓRIA UNIFESP


CARTA DE DOAÇÃO DE CATARINA ÁLVARES

HISTORICAL NEWSPAPERS



Find historical newspapers from across the United States and beyond. Explore newspaper articles and clippings for help with genealogy, history and other research.

CARNE SEM OSSO, FARINHA SEM CAROÇO

Das Partes hoje recebidas, consta haverem sido ontem presos a minha ordem o Fiscal da Câmara Theodoro Pereira da Fonseca, que passou a disposição do doutor Juiz Municipal da 1ª vara, como implicados nos ajuntamentos ilícitos e motins de 28 de fevereiro e 1º do corrente; Firmiano José da Silva e Miguel do Carmo Lemos, vadios para terem conveniente destino; sendo também presos pela subdelegacia do 1º distrito da freguesia da Vitória, Manoel Martiliano; e pela do 1º distrito da Santo Antônio, o crioulo José Moreira, escravo para averiguações. Deus guarde a Vossa Excelência. Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor Desembargador João Lins Vieira Cansanção de Sinimbú, Presidente da Província. Justiniano Baptista Madureira.

Fonte: Arquivo Público do Estado da Bahia / Seção colonial / maço: 3139-18 
Para saber mais, click na imagem 

O JOGO DO ENTRUDO: UMA FESTA PROIBIDA



Secretaria da Polícia da Bahia, 18 de fevereiro de 1858
Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor
Das partes hoje recebidas consta haverem sido ontem presos, a minha ordem Américo Amâncio Gomes, Tenente do 1º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, por infração do Edital da Polícia e Postura Municipal, que proíbem o entrudo, sendo que apreendido em flagrante pelo próprio Subdelegado, não se recolhera logo ao Quartel da Polícia, por falta de Oficial, que o conduzisse; e os Africanos José Barata, liberto, e Benedito , escravo, indicados em crime de roubo de quantia maior de 600$ réis, em diversas espécies e outros objetos, ao Africano também liberto, com quem moravam, de nome Carlos João Chaves. Foram mais presos pela Subdelegacia do Pilar, as Crioulas escravas Maria e Roza, compreendidas no Edital sobre entrudo; e pela da Penha, a Crioula Constantina, igualmente escrava; por fugida. Deus guarde a Vossa Excelência. Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor Desembargador João Lins Vieira Cansanção de Sinimbú. Presidente da Província. Justiniano Baptista Madureira.

Fonte: Arquivo Público do Estado da Bahia / Seção Colonial / Maço: 3139-18

CARNAVAL, ENTRUDO E SAMBA NO SABOEIRO


Bahia, Subdelegacia do 2º Distrito de Santo Antônio, 24 de fevereiro 1879
Tenho a honra de comunicar a Vossa Excelência que ontem correu pacificamente o divertimento do carnaval neste distrito, dando-se apenas dois conflitos, que deram em resultado ferimentos leves, tendo lugar um na estrada do Saboeiro proveniente de um samba, que sem muita ciência, verificou-se na noite de sábado, onde se reunia grande número de indivíduos, os quais ficando alcoolizados promoveram durante o dia o divertimento do entrudo, e a tarde procurando o indivíduo Manoel Boaventura molhar Severo José da Amorim, resultou levar uma paulada na cabeça, sendo prezo em flagrante o réu, procedi ao auto de flagancia (sic) e corpo de delito, que sendo considerado o ferimento leve, mandei recolher o réu a correção. Como sejam de opinião os doutores que em poucos dias esteja o ofendido curado, desejo saber de Vossa Excelência se é conveniente quando ele melhorar recolhe-lo a correção como infrator da postura da Câmara. Outro conflito foi motivado por trocas de palavras que deram em resultado ser ferido com uma chibatada Severo José, por Salustiano Pinto, que não sendo preso em flagrante, e a ofensa sendo diminuta tratei de amenizar. Como sabe Vossa Excelência este distrito é bastante extenso e tendo o destacamento poucas praças não me é possível policiar de maneira que possa obstar a estes incidentes, aliás desagradáveis. Deus guarde a Vossa Excelência.
Fonte: Arquivo Público do Estado da Bahia

Seção colonial – maço: 6247 

CRUZ VERMELHA E EUTERPE: PICUINHAS DE VELHOS CARNAVAIS



Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Conselheiro Presidente da Província
Entreguem-se os papeis – Palácio da Presidência da Bahia, 29 de janeiro de 1886.
Dizem os abaixo-assinados membros do conselho administrativo do Club CarnavalescoCruz Vermelha que, havendo sido, em geral, mal interpretado o ato pelo qual o mesmo Club contratou para tocar em suas festas carnavalescas no corrente ano, a música do corpo policial, levando-se a conta de má vontade para com outra sociedade denominada Euterpe em ato de mera administração; que não convindo de maneira alguma deixar vingar e produzir seus perniciosos frutos essa má interpretação, mormente quando se trata de duas sociedades de puro divertimento e dos quais fazem parte pessoas que na vida comum se acham ligadas em estreitas relações de todo o gênero, e até mesmo de íntima amizade; que não desejando além disto continuar a ocupar a atenção de Vossa Excelência com a questão suscitada sobre o referido contrato. Pedem e requerem a Vossa Excelência se digne mandar restituir-lhes o requerimento que tratando do assunto, submeteram a consideração de Vossa Excelência, pois que, o Club que os suplicantes representam está pronto a ceder a música a que tem incontestável direito, a Sociedade Euterpe como também em virtude das ponderações acima expostas e outras razões particulares, intercede a Vossa Excelência para que isso realize de maneira a ficar a referida Sociedade servida, sem quebra da dignidade dos oficiais que assinaram o mencionado contrato. E. R. M. Bahia, 27 de janeiro de 1886
José Coelho de Resende, José Oliveira Castro, Arthur Francisco Magarão, José da Silva Mattos, Joaquim da Silva Cunha, José Dias Lopes. 
FONTE: Arquivo Público do Estado da Bahia 
Seção colonial maço: 1570 
   

FONTES PARA O ESTUDO DE CABINDA

REVOLTAS NA BAHIA – UMA CRONOLOGIA


1824 – Revolta do 3º Batalhão de 1ª Linha, o batalhão dos “Periquitos” com o assassinato do Comandante das Armas Felisberto Gomes Caldeira (25 de outubro a 3 de dezembro).

1825 – Fuzilamento de Sargento-Mor Sátiro da Cunha, acusado de participar do motim que resultou na morte do Comandante das Armas (15 de janeiro).

1826 – Revolta de escravos no Cabula, periferia de Salvador, com prisão do “Rei dos Negros” e morte da “Rainha” que se recusou a render-se (25 de agosto).

1827 – Revolta dos escravos no Cabula e em Armação, termos de Salvador, com saldo de 8 mortos (11 e 12 de março). Revolta dos escravos do rico proprietário Pedro Rodrigues Bandeira, em Cachoeira, ocasião em que os escravos mataram o feitor e um seu irmão (22 de março)

1828 – O presidente da província menciona que neste ano ocorreram três rompimentos da escravaria, sendo o último em dezembro.

1829 – Revolta dos escravos de três engenhos do coronel José Maria de Pina e  Mello, em Cotegipe, com três mortes e incêndio de um dos engenhos ( 26 de outubro). Outra sublevação escrava no Recôncavo, em novembro. Em fins deste ano os proprietários do Recôncavo fazem uma representação ao presidente, pedindo o envio de destacamentos militares para aquela região, com o objetivo de reprimir as constantes revoltas escravas.

1830 – Assassinato do Visconde de Camamú presidente da província da Bahia (28 de fevereiro). Dezoito a vinte negros invadem e saqueiam lojas no centro da cidade, se dirigindo em seguida para um armazém de negros novos, onde se lhes ajuntam mais de cem. Vai ao encalço deles um grupo de 60 praças. Houve luta, sendo capturados 41 negros e mortos 50 (1º de abril).

1831 – Revolta a bordo da charrua Carioca, com luta entre marinheiros e oficiais (31 de janeiro). Distúrbios anti-lusitanos por ocasião da chegada de notícias relatando os acontecimentos de 13 de março na Corte do Rio de Janeiro  - “Noite das Garrafadas” – tendo esse movimento, na vanguarda, parte da tropa de 1ª linha; reivindicava-se a demissão do Comandante das Armas, o Marechal Calado, e do Comandante dos corpos militares (4 de abril). As inquietações atingem o Recôncavo, principalmente Cachoeira, Santo Amaro e Maragogipe ( a partir de 6 de abril). Depois do assassinato de um comerciante brasileiro, seguem-se assassinatos de vários portugueses e o saque de suas propriedades (13 de abril). Os escravos de Pedro Rodrigues Bandeira ameaçam romper de novo, o que coloca Cachoeira em sobressalto (23 de abril). Prisão de Cipriano Barata, João Primo, Barão de Itaparica e outros, acusados de crimes contra a ordem pública, inclusive a tentativa de subverter os escravos prometendo-lhes liberdade (28 de abril). Revolta do Batalhão nº 20 do Piauí, estacionado em Salvador, com adesão do Batalhão de Artilharia de Linha sediado no Forte de São Pedro, com assalto do trem militar nos Aflitos; exigi-se a demissão do Comandante das Armas e se reclamava contra a vida interna da caserna: as revistas, o rancho e o uso dos pescocilhos de sola (31 de agosto). Primeira revolta federalista, iniciada pelo Batalhão nº 18, com grande participação de populares vindos do Bairro de Santo Antônio Alem do Carmo (28 de outubro).

1832 - Segunda revolta federalista, em São Felix, com a participação de diversos fugitivos procurados por haverem participado da primeira revolta em 31 de outubro; dirigia o rompimento o Juiz de Paz de São Felix e vereador da Câmara de Cachoeira, Capitão Bernardo Miguel Guanais mineiro (19 a 24 de fevereiro).

1833 – Prisão de cinco suspeitos de sedição, tentativa de aliciamento rebelde do Corpo de Artilharia, tentativa de arrombamento da prisão do hospital, intensa propaganda federalista (? Janeiro). Populares atacam a Companhia de Cavalaria dos Municipais Permanentes, em Água de Meninos, e ocorrem ajuntamento “suspeitos” de pessoas em São Caetano e Mangueiras, nos limites da cidade; do ataque resultam o ferimento grave de um soldado e a prisão de um homem negro e outro pardo, sendo que um deles já se envolvera na revolta de São Felix (8 e 9 de março). Terceira revolta federalista, partida de um motim penitenciário entre presos políticos na Fortaleza do Mar, houve bombardeio da cidade durante três dias por parte dos rebeldes do forte e no interior de Salvador se verificaram escaramuças entre populares e soldados, prisões e invasões de domicílio pela soldadesca (26 a 29 de abril).

1834 – Revolta dos Índios de Pedra Branca, vilarejo pertencente á comarca de Cachoeira, onde cerca de 300 índios se rebelaram contra a ocupação de suas terras pelos lavradores (?).

1835 – A Revolta do Malês, com a participação de escravos e libertos africanos que atacaram vários quartéis e rondas de soldados em diversos pontos da cidade, morrendo durante a luta e repressão mais de 40 negros rebeldes e cerca de 6 soldados (24 a 25 de janeiro).

1836 – A Cemiterada, distúrbios populares contra a criação de um cemitério na cidade, cujos proprietários teriam o monopólio dos enterros em Salvador por trinta anos, tirando das Irmandades o direito de fazer sepultamentos em seus  cemitérios particulares e jazigos de igrejas (25 de outubro).

1837-1838 – A Sabinada, maior de todas as insurreições do período, quando os rebeldes dominam a cidade de Salvador, obrigando o governo legalista a fugir para o Recôncavo e posteriormente se instalar na ilha de Itaparica, enquanto durou a luta (7 de novembro de 1837 a 16 de março de 1838).


Fonte: REIS, João José. A elite baiana face aos movimentos sociais, Bahia: 1824-1840. Revista de História, V.54, ano 27, nº 108, pp. 347-348, out/dez. 1976.

TROPEIROS SAMBISTAS EM SÃO FELIX - 1877


Subdelegacia de São Felix, 24 de dezembro de 1877
Excelentíssimo Senhor
As reiteradas reclamações desta Subdelegacia, em luta policial com o inveterado costume dos sambas, alimentado pelos tropeiros que atuam de todo o centro e sertões da província a esta povoação empório comercial de agitado concurso, ordenou o Excelentíssimo Senhor Conselheiro Silva Nunes a permanência de um caba e 4 praças aqui destacados para policiar e manter a ordem tão necessária a garantia e paz das famílias, e graças ao que tenho conseguido a repressão do crime; entretanto que bruscamente e sem a menor satisfação a mim; a cuja praças foram eles retirados pelo Alferes Getúlio Manoel dos Santos Victal. Levando esta ocorrência ao conhecimento de Vossa Excelência tem havido muitos roubos, gomados das três cartinhas, tenho por fim rogar-lhe, que a bem e tranquilidade pública, faça que voltem o mesmo número de praças para continuar a garantir a ordem, levando ao conhecimento do Excelentíssimo Governo a palpitante necessidade desta medida, para ser reconsiderada a ordem de retirada, se porventura do mesmo Governo partiu ela parecendo-me que só o Excelentíssimo Presidente da Província ordenaria a retirada de um destacamento que fora ordenado por seu antecessor fixar-se nesta freguesia. Que venha o destacamento diretamente a disposição desta Subdelegacia em separado do numero do destacamento da Cachoeira. Deus Guarde a Vossa Excelência. Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor Doutor Chefe de Polícia. Subdelegado Geminiano Pereira da Silva.     
Fonte:
Arquivo Público do Estado da Bahia
Seção Colonial – Correspondência recebida de subdelegados
Maço: 6245